sábado, 31 de outubro de 2015

Personagens importantes da história hoje esquecidos. Hoje: Norodom Sihanouk

Personagem curioso este Seu Sihanouk.
Nascido príncipe de Camboja na época da ocupação francesa, subiu ao trono em 1941, a instâncias dos próprios franceses.
Aí se entregou à vida loca total: tinha pretensões musicais -tocava saxo e clarinete-, compunha músicas que fazia seus funcionários cantar nas cerimônias oficiais; adorava carros de luxo, tinha um apetito insaciável por foie-grass e mantinha 5 "favoritas".
Ao fim da segunda guerra mundial, com a França debilitada, encabeçou uma campanha de pressão internacional pela independência de Camboja que finalmente tem sucesso, e é por isto considerado por muitos até hoje como o "Pai da Pátria".
Então estorou a guerra do Vietnã, e a coisa ficou preta: Camboja se declarou neutral, e protestou contra a intervenção norteamericana. Porém, o bom Sihanouk começou meio que a se atrapalhar na sua política internacional: simpatizava com a China de Mao, autorizou por baixo dos panos aos vietcong usar território do seu país, e chegou a declarar que o comunismo era inevitável no sudeste asiático; mas por outro lado, combatia os khmer vermelhos no seu próprio território, pois éstes poderiam instalar uma república e tirar seu poder.
Vendo que a coisa começava a se embaralhar, os Estados Unidos (qué milagre!) apoiaram um golpe de estado liderado pelo primeiro ministro -um tal de Lon Nol, considerado pelo próprio Sihanouk um imbecil- aproveitando que o Sihanouk estava viajando.
Aí o Sihanouk se refugió na aliada China, onde tratavam ele como um rei, literalmente. Desde ali começou a apoiar os antigos inimigos do Khmer na sua revolução contra o Lon Nol. Só que quando éstes ganharam, Sihanouk voltou a Camboja, mas viu que a mão vinha torta para ele -os Khmer usaram seu apoio, mas não eram nada simpáticos com o rei- e acabou em 1976 se exilando de novo.
Aí o Vietnam lança uma ofensiva contra a Camboja, e o Sihanouk decide uma vez mais apoiar aos Khmer Vermelhos que resistem. Quando o VIetnam se retira, de novo o Sihanouk volta. Camboja se transforma numa monarquia constitucional. Sihanouk acaba finalmente um tempo depois abdicando para seu filho (um dos 14 que tinha entre sua esposa e suas favoritas) Norodom Sihamoni -rei da Camboja até hoje-, e se retira de novo para China, onde morreu em 2012.
Vida estranha a deste rei, que viveu como playboy, como exilado, como revolucionário, como chefe de estado, como camponês....
Sempre rodeado de amigos, inimigos e traidores, talvez cheio de boas intenções, talvez demasiado ocupado na sua própria vida, toma para mim uma dimensão humana digna de lembrança.


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